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A imensidão que cabe em cinco anos

28.3.18

A ideia deste post veio de um filme: eu estava assistindo "Para sempre", em que a protagonista sofre traumatismo craniano após um acidente e esquece os últimos cinco anos da sua vida. E nesses cinco anos ela tinha mudado completamente de vida: largou a faculdade, o noivo, se afastou da família, mudou de carreira, fez novos amigos, casou... Então imaginem a loucura de acordar em uma vida completamente diferente sem nem ter ideia do motivo de ter escolhido tudo aquilo!

E isso me fez pensar no quanto minha vida mudou nos últimos cinco anos também. E para falar a verdade, mudou muito! Fazem 5 anos que eu estou com meu namorado. Então é possível que, dependendo do momento em que o esquecimento começasse a valer, eu nem lembrasse desse homem maravilhoso que me fez parte de um relacionamento incrível que tanto me ensinou sobre amor, autoestima, confiança, carinho e tantas outras coisas boas! 

Faz pouco menos de 3 anos que estou no meu atual emprego, no qual sou concursada. Também não lembraria disso. Estaria de volta a um momento de indecisão profissional no qual eu nem tinha mais certeza se era essa a profissão que eu queria para mim. A pós-graduação que comecei no ano passado então, nem passaria pela minha cabeça no mais remoto sonho!

Estaria de volta a uma fase em que minha autoestima era bem abalada, empoderamento era algo que eu conhecia na teoria, mas não tinha muita intimidade na prática. Um momento em que usava cabelos compridos, que hoje já não condizem com quem sou, então seria um choque ver meu cabelo bem mais curto. Além disso, muitas das roupas que eu tenho hoje eu não usaria há 5 anos. E algumas bandas e músicas que hoje eu amo, ainda não conhecia.

Ainda teria uma vida completamente sedentária e, se me dissessem que eu faria Pilates duas vezes por semana num futuro próximo, eu gargalharia da cara da pessoa, porque sempre detestei exercícios físicos. Mesmo que hoje eu não ame, sinto falta e meu corpo dói se fico sem me exercitar. Se dissessem isso para a Danyelle de 5 anos atrás, ela pensaria que a pessoa é completamente louca! 

Eu com a minha gordinha, pouco depois de nascer. A dinda baba mesmo! 😍
Nem saberia da existência da minha afilhada, Sophya, que completou um aninho em março. Esse serzinho que já conquistou meu coração e que eu amo tanto. Não faria ideia do quanto amo aquele sorrisinho e aqueles passinhos desajeitados. Só me lembraria de sua irmã mais velha, Letycia, a quem também amo muito, mas com quem me assustaria ao ver seu crescimento de um pingo de gente para uma mocinha com vontades próprias (e um gênio forte como o da mãe rs).

Alguns amigos, então queridos, se afastaram. Outros chegaram ou se aproximaram mais. A vida é um eterno vai e vem de pessoas que cruzam nossos caminhos. E eu não lembraria de algumas dessas idas e vindas.

Então sim, eu mudei MUITO em 5 anos. Olhando para trás, vejo que não sou mais a mesma pessoa que eu era. Aquela Danyelle de 5 anos atrás, com todos seus erros e acertos, foi importante para definir quem sou hoje. Mas ela não cabe mais na minha vida. Como um sapato que um dia você achou perfeito, mas que hoje não calça bem no seu pé (e que parece que nunca foi seu, por mais que você tenha tido carinho por ele). Se eu acordasse sem as memórias destes últimos 5 anos, eu seria menos feliz do que sou hoje. Então, apesar de cafona, apenas uma palavra pode definir todo o amadurecimento dos últimos cinco anos: gratidão.


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Uma “não lista” de “30 antes dos 30”

9.2.18
Um sonho que já realizei: mergulho! Esse foi em Maracajaú/RN 💜
Em maio de 2018 faço 30 anos. Muito se fala sobre fazer essa idade. Há uma mística em torno do “trintar”, “se tornar Balzaquiana”. Eu, quando criança, achava que aos 30 já seria uma “senhora respeitável” casada e com filhos, rica, viajada, com casa própria e sucesso na vida. Mas a verdade é que eu não casei, não tenho filhos (e nem pretendo ter tão cedo), não fiquei rica (lágrimas rolando nesse momento… mentira! Ou não…) ainda moro com meu pai e estou mais preocupada com a próxima viagem que conseguirei fazer do que com ser uma “senhora respeitável” que, aliás, é um conceito totalmente diferente em minha mente hoje.

Não estou num ponto ruim da vida, afinal já me formei, estou cursando uma pós-graduação e já sou concursada numa vaga na minha área. O que é muito em comparação com várias outras pessoas da minha idade. Mas estou bem longe daquilo que imaginei que teria nesta altura da vida. 

Toda esta introdução é para dizer que vejo por aí várias pessoas fazendo a tal lista de “30 coisas que quero fazer antes de completar 30 anos”. Na maioria das vezes, são objetivos que envolvem aventura, um grande sonho ou até mesmo experiências mais simples. E isso tudo seria muito legal, mas por que têm que ser alcançados antes dos 30 anos? Será que essas pessoas acham que depois dos 30 nada daquilo deveria / poderia ser feito? Há uma idade máxima para realizar um sonho? Para mim, não. Por isso, decidi que farei tudo o que eu quiser, independente da idade. Farei quando a vida me proporcionar uma ocasião. 

Vou pontuar (não listar, porque não há uma ordem ou prioridade entre os itens) coisas que eu ainda quero fazer ao longo da minha vida e que farei, independentemente da idade:

  • Fazer um cruzeiro
  • Viajar para o exterior
  • E falar em outro idioma lá fora para me sentir num comercial de curso de idiomas (kkkk!)
  • Ir à Disney
  • Ver neve
  • Voar de parapente
  • Saltar de bungee jump
  • Conhecer ao menos uma cidade em cada região do Brasil
  • Aprender a nadar direito
  • E depois nadar pelada (Eita! Olha elaaaa!)
  • Ler todos os livros da minha estante / do meu e-reader (esse é o mais difícil hahaha)
  • Escrever um livro
  • Andar em uma montanha russa que tenha looping (não, nunca fiz isso. Sim, eu morro de medo. Mas depois de voar de parapente ou pular de bungee jump, isso seria mole rs)
  • Fazer um curso de corte e costura
  • Casar (de preferência, na praia 💖 )
  • Fazer um retiro espiritual, desses em que a gente medita o tempo todo para se conectar com nosso interior
  • Ter um dia de relaxamento em um spa (esse quero fazer ainda neste ano, de preferência como presente de aniversário para mim mesma rs)
  • Adotar um bichinho (pode ser gato ou cachorro)
  • Fazer uma tatuagem
  • Acampar
  • Fazer um ensaio boudoir (que zegzi…)

Acho que consegui pontuar a maioria. Mas nada impede de acrescentar mais itens ao longo da vida. O que importa de verdade é fazer o que te faz feliz, independente de quantos anos você tem! 😊

Dica extra: Se você quiser ler um livro que trata com bom-humor a “crise dos 30” e garantir boas risadas, vale conferir o “Enfim, 30. Um livro para não entrar em crise”, da Jana Rosa e da Camila Fremder. É identificação garantida! hahaha!
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Resenha: Dias de Despedida

19.1.18


Parece que eu só tenho vindo escrever novos posts quando um novo livro me encanta, não é mesmo? Hehehehe... Mas isso é só porque gosto muito de dividir com vocês minhas impressões quando amo tanto alguma coisa que é impossível manter só para mim. =D E hoje conto um pouco sobre o maravilhoso livro Dias de Despedida, do Jeff Zentner! Primeiro, segue o resumo oficial do livro:

"Cadê vocês? Me respondam."
Essa foi a última mensagem que Carver mandou para seus melhores amigos, Mars, Eli e Blake. Logo em seguida os três sofreram um acidente de carro fatal. Agora, o garoto não consegue parar de se culpar pelo que aconteceu e, para piorar, um juiz poderoso está empenhado em abrir uma investigação criminal contra ele. Mas Carver tem alguns aliados: a namorada de Eli, sua única amiga na escola; o dr. Mendez, seu terapeuta; e a avó de Blake, que pede a sua ajuda para organizar um “dia de despedida” para compartilharem lembranças do neto. Quando as outras famílias decidem que também querem um dia de despedida, Carver não tem certeza de suas intenções. Será que eles serão capazes de ficar em paz com suas perdas? Ou esses dias de despedida só vão deixar Carver mais perto de um colapso — ou, pior, da prisão?

Quando eu imaginei que esse seria o livro enviado na caixa de dezembro do Turista Literário, fiquei com um pé atrás. Depois de ler a sinopse, achei que seria um assunto muito mórbido. Não costumo ser fã de YAs contemporâneos, pois sempre preferi os de fantasia (sim, leio YAs mesmo já tendo passado da idade, me julguem! rs). Sendo um dramático então, já torci logo o nariz: "detesto livros que me fazem chorar", foi o que sempre disse. Mas como confio muito na curadoria das meninas do Turista, resolvi dar uma chance. 



A caixa veio linda, como podem ver acima, com itens maravilhosos, o que me fez ficar encantada! Mas como suspeitava, o livro enviado era esse. Decidi que seria um dos últimos que leria, já que tenho vários na fila de TBR. No entanto, por causa de um evento no qual alguns assinantes combinaram de discutir essa leitura, decidi começar logo para poder participar da conversa.

E olha, ainda bem que eu fiz isso! Posso dizer que não me arrependi nem um pouco em confiar no bom gosto das meninas do Turista e que esse livro é maravilhoso! Extremamente delicado, poético, nada mórbido. Dias de Despedida, mexeu muito mesmo comigo. Para quem não sabe, perdi minha mãe quando eu tinha 15 anos. Foi algo muito difícil e dolorido para mim... E ainda é, mesmo quase 15 anos depois. Ler verdades tão absolutas sobre o luto e a dor de perder alguém querido me sensibilizou muito e me fez engolir o choro em muitos momentos para não "pagar mico" em público (rs)... A forma com que o Jeff Zentner fala sobre os sentimentos tão delicados atrelados à morte é algo incrivelmente fascinante. É lindo e de certa forma libertador. Cada frase lida que traduzia perfeitamente os sentimentos que nos preenchem quando perdemos alguém era equivalente a tirar parte do peso que achamos que só nós carregamos (e fica bem claro que muitas pessoas passam pelos mesmos sentimentos que nós e isso nos deixa menos solitários na dor).

No final, obviamente não consegui segurar as lágrimas (rs), mas até isso foi bom, porque elas lavaram parte da dor acumulada dentro de mim por todos esses anos. Não vou dizer que não dói mais, porque é claro que seria mentira. Mas posso dizer que ler este livro me fez lidar melhor com tudo isso e tornar a dor um pouco mais suportável. Como eu queria fazer um dia de despedida para minha mãe... Talvez eu faça, algum dia.

Bom, não vou me estender muito, porque esse é um livro que precisa ser lido e sentido, não dá para ser contado. Vou apenas deixar uns quotes dos meus trechos preferidos abaixo, para que vocês fiquem com um gostinho de quero mais! ;-)

→ "Engraçado como as pessoas passam por este mundo deixando pedacinhos de sua história para as pessoas que conhecem carregarem. Faz você pensar o que aconteceria se todas essas pessoas juntassem suas peças do quebra-cabeças." (P. 72)

→ "A noite chega, lenta como um cobertor caindo. A cidade é uma constelação de luzes, cada uma representando uma mão que acendeu uma lâmpada. Uma mão ligada a uma mente contendo um universo de memórias e mitos; uma história natural de amores e feridas.
      Há vida por toda parte. Pulsando, zunindo. Uma grande roda que gira. Uma luz que se apaga aqui, outra a substitui ali. Sempre morrendo. Sempre vivendo. Sobrevivemos até não sobrevivermos mais.
      Todos esses fins e começos são a única coisa realmente infinita." (P. 91)

→ "Nossa mente busca causa e efeito porque isso sugere uma ordem no universo que talvez não exista, mesmo se você acreditar em algum poder superior. Muita gente prefere aceitar uma parcela indevida da culpa por alguma tragédia do que aceitar que não existe ordem nas coisas. O caos é assustador. É assustadora uma existência inconstante em que coisas ruins acontecem a pessoas boas sem nenhum motivo lógico." (P. 229)

→ "Nossa memória dos entes queridos é a pérola que formamos em volta do grão de luto que nos causa dor." (P. 250)

→ "Na maioria das vezes, a gente não guarda as pessoas que ama no coração porque elas nos salvaram de um afogamento ou nos tiraram de uma casa em chamas. Quase sempre, nós as guardamos no coração porque, em um milhão de formas serenas e perfeitas, elas nos salvaram da solidão." (P. 272)

→ "O universo e o destino são cruéis e aleatórios. As coisas acontecem por inúmeros motivos. Acontecem sem motivo nenhum. Carregar nas costas o fardo dos caprichos do universo é demais para qualquer pessoa. E não é justo com você." (P. 372)

Uma observação: eu preciso deixar registrado que o Jeff é um fofo! Além de ter gravado um vídeo em português para os assinantes do Turista Literário (o autor morou no Brasil por dois anos, segundo informações da editora), fez questão de curtir e comentar em português as publicações que fiz sobre o livro no Instagram! Ou seja, além de ótimo escritor, é uma pessoa bacana. Me conquistou ainda mais. Hehehehe!
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Resenha: A (R)evolução das mulheres

22.11.17

Que livro senhoras e senhores, que livro! Depois de tanto tempo sem postar, A (R)evolução das mulheres é tão incrível que me fez ter vontade de vir aqui fazer uma resenha para vocês. Mas antes de dar minha opinião real oficial ®, segue a sinopse:

"Três anos se passaram desde o assassinato da irmã mais velha de Alex Craft. Mas, como é de costume, a culpa sempre recai sobre a vítima e o assassino segue sua vida em liberdade. Alex é uma menina forte e quer vingar sua irmã. Por isso, ela resolve atacar qualquer predador sexual que cruzar seu caminho e colocar a boca no mundo, usando a linguagem que conhece melhor: a linguagem da violência.

Mas o que aconteceu na noite do assassinato chama a atenção de Jack Fisher, o cara invejado por todos: atleta perfeito, que desfila de braço dado com a garota mais cobiçada. Ele deseja conhecer Alex profundamente. E, numa cidade pequena, onde todo mundo se conhece, esse repentino interesse vai desencadear uma série de crimes bárbaros.

Uma narrativa vibrante com cenas de grande impacto, A (r)evolução das mulheres é uma reflexão profunda sobre os abusos e estereótipos, que tiram a humanidade das mulheres. Mindy McGinnis nos mostra que as agressões perseguem a vida não só das vítimas, mas também daqueles que estão próximos a elas."

Então vamos à resenha! Quando vi esse livro na livraria, achei que fosse um estudo sobre o feminismo. Como o assunto me interessa, fui até ele e qual não foi minha surpresa ao perceber que se tratava de uma ficção YA (Young Adult)! Fico muito feliz em saber que as editoras e autores estão cada dia mais interessados em tratar temas importantes com esse público jovem, não apenas disponibilizar romances "água com açúcar" (não que nesse livro não tenha romance, mas isso eu vou discutir num tópico mais na frente). Então adquiri o meu na primeira oportunidade. Várias amigas me pediram resenha assim que acabasse de ler, então cá estou.

A primeira coisa que posso dizer é que não consegui largar esse livro até terminar! A escrita de Mindy McGinnis é fluida e te faz querer ir até o final (foi meu primeiro contato com a autora). Nem o fato da estória ser narrada por três personagens quebra muito o ritmo. Os narradores são a Alex, nossa protagonista; Jack, o "popular gostosão" da escola e que fica enlouquecidamente apaixonado pela Alex; e a Efepê (filha do pastor = FP), que é bem diferente do que o rótulo dela insinua e que se torna a melhor amiga da Alex. 

A Alex é uma garota com um passado cruel: teve a irmã, Anna, violentada e assassinada; uma mãe que é alcoólatra e um pai que as abandonou. Então ela se vê como perturbada, desde criança, já que sempre teve tendência a comportamentos violentos. Um "lobo enjaulado" e a irmã era a sua domadora, pois sempre a acalmava e protegia. Depois que ela se foi, o "lobo saiu da jaula" e agora ela dá vazão a esse lado violento: matou o assassino da irmã (mas ninguém sabe disso, só que ele morreu de forma bizarra) e não tolera nenhum tipo de comportamento abusivo.

Em um dado momento, há uma passagem em que dá a entender que ela mesma sofreu um abuso sexual, mas continua virgem de acordo com o que conta no livro. Essa passagem ficou meio confusa, até porque só é falada em um capítulo da Alex, e no meio de um devaneio dela. Então achei que essa é uma ponta solta, pois não ficou muito esclarecido o que realmente aconteceu com ela. Contudo, isso não atrapalha tanto o desenvolvimento da narrativa.

Apesar dessa representação de "garota perturbada", a gente descobre que ela não é uma psicopata fria e calculista, como parece. Alex é voluntária no abrigo de animais do condado, onde cuida dos animais com zelo, até se arriscando para protegê-los. É lá onde começa a amizade com Efepê, que também é voluntária, após a menina reparar melhor em Alex e nesse lado dela.

Alex salva Efepê de uma situação de perigo de uma forma bem sinista e na frente de várias pessoas, o que faz as opiniões sobre ela serem divergentes (não que ela se importe rs). Confesso que, no lugar dela, adoraria fazer o mesmo, mas não sei se teria coragem. Não achei nem um pouco injusto... Essa situação aproxima ainda mais as garotas.

Além disso, Alex é pura sororidade com as meninas da escola. Até em relação à garota mais popular, patricinha e "piranha": defende a menina contra os xingamentos, apaga dizeres nojentos das paredes dos banheiros e deixa claro que no caso de uma traição, quem deve ser responsabilizado é aquele com quem você tem um compromisso, muito mais do que a outra parte envolvida na traição (nunca esqueçam isso, ok?!). Enfim, ela é diferente!

E é esse jeito diferente que chama a atenção de Jack. Confesso que acho um porre ter que acontecer um romance em todos os livros, mas essa é uma fórmula que tem dado certo nos YAs, então não julgo tanto. Mas até que o romance dos dois funciona, porque a maneira dela ser faz com que ele queira mudar e deixar de ser um babaca (e isso sem ela tentar mudá-lo. Detesto quando a mocinha - nem sei se esse termo se aplica à Alex rs - fica querendo transformar o cara). Tudo bem que ele é meio babaca com ela em um certo momento, mas me solidarizo com ele e se vocês lerem o livro vão me entender rs.

Essas relações com o Jack e com a Efepê também mudam a Alex. Fazem ela sentir coisas que nunca imaginou ser capaz. Outras mortes ainda acontecem, mas as coisas não são mais como eram... E o plot desse livro é de cortar o coração! Terminei ele 1:30 da madrugada, aos prantos, e resolvi escrever a resenha assim que acordasse (mas o app do Blogger é uma porcaria, apagou meu post depois de escrito e eu precisei reescrever, por isso o post está indo ao ar tão tarde =\ ).

Sororidade, empoderamento, girl power, luta contra a agressão sexual, contra piadas machistas e misóginas, contra a banalização da violência contra a mulher e contra maus-tratos aos animais, tudo isso é discutido nesse livro. 

Enfim, para terminar a resenha sem dar spoilers e sem ela ficar mais gigante ainda, basta dizer que a Alex e suas atitudes modificam a cidade e principalmente a escola. A (r)evolução que dá nome ao livro acontece nas últimas páginas do livro e é emocionante demais ver a forma como os pensamentos e atitudes se modificam. Então, por favor, leia esse hino de livro! Só tenha em mente que é um YA e algumas pontas soltas acontecem, algumas coisas poderiam ser melhor desenvolvidas... Mas nada que desmereça a leitura.

Ah e, por favor, não faça a burrice de ir na última página da estória, antes dos agradecimentos, para ver quantas páginas ela tem (btw, são 341, não precisa ir lá conferir. De nada!) porque senão você vai tomar um PUTA SPOILER EM CAIXA ALTA NO MEIO DA CARA! Eu fiquei muito bolada! Editoras e autores, não façam isso, please! É uma baita sacanagem... 

Então é isso. Espero que tenham gostado e, caso leiam o livro, venham me dizer o que acharam. ;)
feminismo

Sobre relacionamentos abusivos e o quanto é difícil perceber que se está em um

11.4.17
Fonte da imagem: Blog Femizade
Vejam bem, eu não gosto de BBB. Já gostei, já acompanhei, mas de umas 10 edições para cá, não tenho mais saco para ver. Mas a situação ocorrida agora na reta final da edição 17 entre o casal Marcos e Emilly me fez querer escrever sobre isso. Porque SIM, foi agressão. E não apenas porque ele deixou o braço dela marcado. Foi agressão psicológica e moral também. E não, eu não gosto da Emilly: acho ela mimada, egoísta, manipuladora. Mas isso não diminui a agressão sofrida. Isso não a desqualifica enquanto vítima.

Como a maioria das vítimas, ela mesma ainda não parece enxergar a gravidade da situação na qual se envolveu. Não parece aceitar que aconteceu agressão e se culpa por “ter prejudicado ele”. Como a maioria das mulheres agredidas, se sente culpada pela agressão e pelas consequências trazidas ao agressor que, querendo ou não, é alguém que ela ama. Como a maioria delas, fecha os olhos perante a situação com a desculpa de que “ele é um cara bom, só está passando por um momento difícil”. Quando as marcas são na alma, são mais difíceis de ver mesmo.

Eu mesma demorei para enxergar as minhas. Porque como ela e como muitas mulheres, passei por um relacionamento abusivo também. Nunca sofri agressão física (porque ele não era burro o suficiente para levantar a mão para mim. Sabia que se fizesse isso eu jamais o perdoaria e isso teria consequências legais para ele), mas às vezes a agressão moral e psicológica dói mais do que uma surra. Logo eu, feminista, desconstruída, empoderada, não enxergava que o homem que eu então amava só me fazia mal. Ou melhor, no fundo eu até sabia, mas não conseguia me imaginar sem ele.

Violência assume diferentes formas. É preciso saber reconhecê-las.
Fonte: Blog Desparadigmando
Foram quase sete anos ao lado dessa pessoa. No início, ele, dez anos mais velho que eu, era um príncipe. Dizia tudo o que eu queria e precisava ouvir. Prometeu mundos e fundos para mim e disse que me faria a mulher mais feliz do mundo. Mas isso durou cerca de uns dois anos, no máximo. Depois disso, começaram as piadas sem graça sobre o tamanho da minha bunda, sobre como meu nariz era grande e feio (detalhe é que o dele era maior que o meu) e sobre o “fato” de que ele me amava, mas que do jeito que eu sou ninguém mais seria capaz disso. E o pior de tudo? EU ACREDITAVA. Era insegura o suficiente para achar que seria quase impossível achar outra pessoa que “me amasse como ele amava”. Que eu era exigente demais, que os homens eram todos iguais e que eu tinha que me conformar com o que a vida me dava.

Depois de ir minando minha autoestima, comecei a perceber (e minha família toda e amigos também) que ele se incomodava com as minhas conquistas. Tinha inveja mesmo! Chegou ao ponto de tentar estragar a noite da minha formatura por eu estar me formando antes dele (sendo que ele entrou na faculdade muito antes de mim). Se eu comprava ou ganhava alguma coisa, ele debochava, desdenhava e fazia eu me sentir mal com a nova conquista.

Além disso, fui me afastando de todos por causa dele. Minha família não gostava dele e, por vezes, deixaram de me convidar para eventos por saberem que se eu fosse ele iria junto. E ninguém mais aguentava ver a forma como ele me tratava. Meus amigos deixaram de me convidar para sair, porque sabiam que eu negaria “porque o Fulano não deixa”. Ele sentia ciúmes até da minha sombra e as brigas, nas quais ele sempre me culpava por tudo, eram constantes. Ele nunca admitia que estava errado. E quando o fazia depois de eu muito chorar e ameaçar terminar, era apenas para calar a minha boca e me fazer desistir de romper com ele.

Perdi as contas também de quantas contas ajudei ele a pagar e de quantas coisas ele me pediu para “tirar no cartão que depois me pagava”. Eu tinha algo fixo, ainda que fosse um estágio. Ele pulava de emprego em emprego porque “nada estava no nível dele, que era bom demais para trabalhos medíocres”. E assim eu seguia arcando com as contas dele e segurando as pontas que ele deixava soltas.

Sempre que tudo isso começava a ficar insuportável e eu me decidia por terminar o relacionamento, ele fazia drama, chorava, prometia que ia mudar e eu acreditava. Ele mudava por algumas semanas, eu criava esperanças, depois tudo voltava a ser como antes. E eu sempre acreditava que, daquela vez, poderia ser diferente e que o cara que me conquistou apareceria novamente dentro daquele que eu já não reconhecia. E assim eu decidi ir morar com ele, mesmo contra os protestos de todos que me amavam.

Ao morarmos juntos, as coisas só pioraram. Porque, além de tudo isso, ele achava que teria uma empregada. Eu chegava em casa tarde da noite, depois de um dia cansativo de trabalho, e o encontrava de cueca, jogando vídeo game e me perguntando que horas sairia o jantar porque ele estava morrendo de fome. Não bastasse isso, as crises de ciúmes pioraram e ele afirmava que eu chegava tarde por “estar com homem na rua”, quando na verdade eu trabalhava igual a uma condenada.

Por fim, depois de muito chorar, sofrer e ouvir de todos que eu merecia coisa melhor, abri os olhos e vi o quanto aquele relacionamento me fazia mal. O quanto era tóxico passar por tudo aquilo e o quanto estava me matando aos poucos. E tomei, enfim, a decisão de terminar. Mas se para mim, que sou instruída, estudada, que nunca fui rica, mas sempre estive longe da miséria, que não tinha filhos que dependessem de mim e que tinha a casa do meu pai de portas abertas para me receber de volta, demorou quase sete anos para que eu enxergasse o que estava na minha frente, imagina para quem está numa situação mais complicada que a minha? 

Fonte: GWS Mag
Hoje, depois de muita terapia e de abrir meu coração novamente, ainda que com medo de me machucar, encontrei um companheiro, melhor amigo e namorado que me trata tão bem de uma forma que eu nem imaginava que seria possível um homem me tratar. Me libertar do relacionamento anterior, aprender a me amar e me envolver no atual relacionamento me proporcionaram as melhores sensações de liberdade que já experimentei. Hoje sei o que é ser feliz com alguém.

Então não me venham com “ela merece”, “ela procura”, “não larga ele porque é burra”, “sempre volta atrás”, “essa gosta de sofrer”... A questão é muito mais complexa do que sequer pode imaginar a mente de quem nunca passou por isso. O dever da sociedade é oferecer suporte a essas mulheres e mostrar que lutaremos por todas para que elas possam sair desses relacionamentos tóxicos. O dever de cada um não é de apontar o dedo, mas de abrir os braços. E sim, é punir os culpados pelas agressões para que eles não continuem acreditando que podem fazer tudo isso e ficarem impunes. MACHISTAS E AGRESSORES NÃO PASSARÃO.

#EuViviUmRelacionamentoAbusivo
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