dica

Resenha: Dias de Despedida

19.1.18


Parece que eu só tenho vindo escrever novos posts quando um novo livro me encanta, não é mesmo? Hehehehe... Mas isso é só porque gosto muito de dividir com vocês minhas impressões quando amo tanto alguma coisa que é impossível manter só para mim. =D E hoje conto um pouco sobre o maravilhoso livro Dias de Despedida, do Jeff Zentner! Primeiro, segue o resumo oficial do livro:

"Cadê vocês? Me respondam."
Essa foi a última mensagem que Carver mandou para seus melhores amigos, Mars, Eli e Blake. Logo em seguida os três sofreram um acidente de carro fatal. Agora, o garoto não consegue parar de se culpar pelo que aconteceu e, para piorar, um juiz poderoso está empenhado em abrir uma investigação criminal contra ele. Mas Carver tem alguns aliados: a namorada de Eli, sua única amiga na escola; o dr. Mendez, seu terapeuta; e a avó de Blake, que pede a sua ajuda para organizar um “dia de despedida” para compartilharem lembranças do neto. Quando as outras famílias decidem que também querem um dia de despedida, Carver não tem certeza de suas intenções. Será que eles serão capazes de ficar em paz com suas perdas? Ou esses dias de despedida só vão deixar Carver mais perto de um colapso — ou, pior, da prisão?

Quando eu imaginei que esse seria o livro enviado na caixa de dezembro do Turista Literário, fiquei com um pé atrás. Depois de ler a sinopse, achei que seria um assunto muito mórbido. Não costumo ser fã de YAs contemporâneos, pois sempre preferi os de fantasia (sim, leio YAs mesmo já tendo passado da idade, me julguem! rs). Sendo um dramático então, já torci logo o nariz: "detesto livros que me fazem chorar", foi o que sempre disse. Mas como confio muito na curadoria das meninas do Turista, resolvi dar uma chance. 



A caixa veio linda, como podem ver acima, com itens maravilhosos, o que me fez ficar encantada! Mas como suspeitava, o livro enviado era esse. Decidi que seria um dos últimos que leria, já que tenho vários na fila de TBR. No entanto, por causa de um evento no qual alguns assinantes combinaram de discutir essa leitura, decidi começar logo para poder participar da conversa.

E olha, ainda bem que eu fiz isso! Posso dizer que não me arrependi nem um pouco em confiar no bom gosto das meninas do Turista e que esse livro é maravilhoso! Extremamente delicado, poético, nada mórbido. Dias de Despedida, mexeu muito mesmo comigo. Para quem não sabe, perdi minha mãe quando eu tinha 15 anos. Foi algo muito difícil e dolorido para mim... E ainda é, mesmo quase 15 anos depois. Ler verdades tão absolutas sobre o luto e a dor de perder alguém querido me sensibilizou muito e me fez engolir o choro em muitos momentos para não "pagar mico" em público (rs)... A forma com que o Jeff Zentner fala sobre os sentimentos tão delicados atrelados à morte é algo incrivelmente fascinante. É lindo e de certa forma libertador. Cada frase lida que traduzia perfeitamente os sentimentos que nos preenchem quando perdemos alguém era equivalente a tirar parte do peso que achamos que só nós carregamos (e fica bem claro que muitas pessoas passam pelos mesmos sentimentos que nós e isso nos deixa menos solitários na dor).

No final, obviamente não consegui segurar as lágrimas (rs), mas até isso foi bom, porque elas lavaram parte da dor acumulada dentro de mim por todos esses anos. Não vou dizer que não dói mais, porque é claro que seria mentira. Mas posso dizer que ler este livro me fez lidar melhor com tudo isso e tornar a dor um pouco mais suportável. Como eu queria fazer um dia de despedida para minha mãe... Talvez eu faça, algum dia.

Bom, não vou me estender muito, porque esse é um livro que precisa ser lido e sentido, não dá para ser contado. Vou apenas deixar uns quotes dos meus trechos preferidos abaixo, para que vocês fiquem com um gostinho de quero mais! ;-)

→ "Engraçado como as pessoas passam por este mundo deixando pedacinhos de sua história para as pessoas que conhecem carregarem. Faz você pensar o que aconteceria se todas essas pessoas juntassem suas peças do quebra-cabeças." (P. 72)

→ "A noite chega, lenta como um cobertor caindo. A cidade é uma constelação de luzes, cada uma representando uma mão que acendeu uma lâmpada. Uma mão ligada a uma mente contendo um universo de memórias e mitos; uma história natural de amores e feridas.
      Há vida por toda parte. Pulsando, zunindo. Uma grande roda que gira. Uma luz que se apaga aqui, outra a substitui ali. Sempre morrendo. Sempre vivendo. Sobrevivemos até não sobrevivermos mais.
      Todos esses fins e começos são a única coisa realmente infinita." (P. 91)

→ "Nossa mente busca causa e efeito porque isso sugere uma ordem no universo que talvez não exista, mesmo se você acreditar em algum poder superior. Muita gente prefere aceitar uma parcela indevida da culpa por alguma tragédia do que aceitar que não existe ordem nas coisas. O caos é assustador. É assustadora uma existência inconstante em que coisas ruins acontecem a pessoas boas sem nenhum motivo lógico." (P. 229)

→ "Nossa memória dos entes queridos é a pérola que formamos em volta do grão de luto que nos causa dor." (P. 250)

→ "Na maioria das vezes, a gente não guarda as pessoas que ama no coração porque elas nos salvaram de um afogamento ou nos tiraram de uma casa em chamas. Quase sempre, nós as guardamos no coração porque, em um milhão de formas serenas e perfeitas, elas nos salvaram da solidão." (P. 272)

→ "O universo e o destino são cruéis e aleatórios. As coisas acontecem por inúmeros motivos. Acontecem sem motivo nenhum. Carregar nas costas o fardo dos caprichos do universo é demais para qualquer pessoa. E não é justo com você." (P. 372)

Uma observação: eu preciso deixar registrado que o Jeff é um fofo! Além de ter gravado um vídeo em português para os assinantes do Turista Literário (o autor morou no Brasil por dois anos, segundo informações da editora), fez questão de curtir e comentar em português as publicações que fiz sobre o livro no Instagram! Ou seja, além de ótimo escritor, é uma pessoa bacana. Me conquistou ainda mais. Hehehehe!
dicas

Resenha: A (R)evolução das mulheres

22.11.17

Que livro senhoras e senhores, que livro! Depois de tanto tempo sem postar, A (R)evolução das mulheres é tão incrível que me fez ter vontade de vir aqui fazer uma resenha para vocês. Mas antes de dar minha opinião real oficial ®, segue a sinopse:

"Três anos se passaram desde o assassinato da irmã mais velha de Alex Craft. Mas, como é de costume, a culpa sempre recai sobre a vítima e o assassino segue sua vida em liberdade. Alex é uma menina forte e quer vingar sua irmã. Por isso, ela resolve atacar qualquer predador sexual que cruzar seu caminho e colocar a boca no mundo, usando a linguagem que conhece melhor: a linguagem da violência.

Mas o que aconteceu na noite do assassinato chama a atenção de Jack Fisher, o cara invejado por todos: atleta perfeito, que desfila de braço dado com a garota mais cobiçada. Ele deseja conhecer Alex profundamente. E, numa cidade pequena, onde todo mundo se conhece, esse repentino interesse vai desencadear uma série de crimes bárbaros.

Uma narrativa vibrante com cenas de grande impacto, A (r)evolução das mulheres é uma reflexão profunda sobre os abusos e estereótipos, que tiram a humanidade das mulheres. Mindy McGinnis nos mostra que as agressões perseguem a vida não só das vítimas, mas também daqueles que estão próximos a elas."

Então vamos à resenha! Quando vi esse livro na livraria, achei que fosse um estudo sobre o feminismo. Como o assunto me interessa, fui até ele e qual não foi minha surpresa ao perceber que se tratava de uma ficção YA (Young Adult)! Fico muito feliz em saber que as editoras e autores estão cada dia mais interessados em tratar temas importantes com esse público jovem, não apenas disponibilizar romances "água com açúcar" (não que nesse livro não tenha romance, mas isso eu vou discutir num tópico mais na frente). Então adquiri o meu na primeira oportunidade. Várias amigas me pediram resenha assim que acabasse de ler, então cá estou.

A primeira coisa que posso dizer é que não consegui largar esse livro até terminar! A escrita de Mindy McGinnis é fluida e te faz querer ir até o final (foi meu primeiro contato com a autora). Nem o fato da estória ser narrada por três personagens quebra muito o ritmo. Os narradores são a Alex, nossa protagonista; Jack, o "popular gostosão" da escola e que fica enlouquecidamente apaixonado pela Alex; e a Efepê (filha do pastor = FP), que é bem diferente do que o rótulo dela insinua e que se torna a melhor amiga da Alex. 

A Alex é uma garota com um passado cruel: teve a irmã, Anna, violentada e assassinada; uma mãe que é alcoólatra e um pai que as abandonou. Então ela se vê como perturbada, desde criança, já que sempre teve tendência a comportamentos violentos. Um "lobo enjaulado" e a irmã era a sua domadora, pois sempre a acalmava e protegia. Depois que ela se foi, o "lobo saiu da jaula" e agora ela dá vazão a esse lado violento: matou o assassino da irmã (mas ninguém sabe disso, só que ele morreu de forma bizarra) e não tolera nenhum tipo de comportamento abusivo.

Em um dado momento, há uma passagem em que dá a entender que ela mesma sofreu um abuso sexual, mas continua virgem de acordo com o que conta no livro. Essa passagem ficou meio confusa, até porque só é falada em um capítulo da Alex, e no meio de um devaneio dela. Então achei que essa é uma ponta solta, pois não ficou muito esclarecido o que realmente aconteceu com ela. Contudo, isso não atrapalha tanto o desenvolvimento da narrativa.

Apesar dessa representação de "garota perturbada", a gente descobre que ela não é uma psicopata fria e calculista, como parece. Alex é voluntária no abrigo de animais do condado, onde cuida dos animais com zelo, até se arriscando para protegê-los. É lá onde começa a amizade com Efepê, que também é voluntária, após a menina reparar melhor em Alex e nesse lado dela.

Alex salva Efepê de uma situação de perigo de uma forma bem sinista e na frente de várias pessoas, o que faz as opiniões sobre ela serem divergentes (não que ela se importe rs). Confesso que, no lugar dela, adoraria fazer o mesmo, mas não sei se teria coragem. Não achei nem um pouco injusto... Essa situação aproxima ainda mais as garotas.

Além disso, Alex é pura sororidade com as meninas da escola. Até em relação à garota mais popular, patricinha e "piranha": defende a menina contra os xingamentos, apaga dizeres nojentos das paredes dos banheiros e deixa claro que no caso de uma traição, quem deve ser responsabilizado é aquele com quem você tem um compromisso, muito mais do que a outra parte envolvida na traição (nunca esqueçam isso, ok?!). Enfim, ela é diferente!

E é esse jeito diferente que chama a atenção de Jack. Confesso que acho um porre ter que acontecer um romance em todos os livros, mas essa é uma fórmula que tem dado certo nos YAs, então não julgo tanto. Mas até que o romance dos dois funciona, porque a maneira dela ser faz com que ele queira mudar e deixar de ser um babaca (e isso sem ela tentar mudá-lo. Detesto quando a mocinha - nem sei se esse termo se aplica à Alex rs - fica querendo transformar o cara). Tudo bem que ele é meio babaca com ela em um certo momento, mas me solidarizo com ele e se vocês lerem o livro vão me entender rs.

Essas relações com o Jack e com a Efepê também mudam a Alex. Fazem ela sentir coisas que nunca imaginou ser capaz. Outras mortes ainda acontecem, mas as coisas não são mais como eram... E o plot desse livro é de cortar o coração! Terminei ele 1:30 da madrugada, aos prantos, e resolvi escrever a resenha assim que acordasse (mas o app do Blogger é uma porcaria, apagou meu post depois de escrito e eu precisei reescrever, por isso o post está indo ao ar tão tarde =\ ).

Sororidade, empoderamento, girl power, luta contra a agressão sexual, contra piadas machistas e misóginas, contra a banalização da violência contra a mulher e contra maus-tratos aos animais, tudo isso é discutido nesse livro. 

Enfim, para terminar a resenha sem dar spoilers e sem ela ficar mais gigante ainda, basta dizer que a Alex e suas atitudes modificam a cidade e principalmente a escola. A (r)evolução que dá nome ao livro acontece nas últimas páginas do livro e é emocionante demais ver a forma como os pensamentos e atitudes se modificam. Então, por favor, leia esse hino de livro! Só tenha em mente que é um YA e algumas pontas soltas acontecem, algumas coisas poderiam ser melhor desenvolvidas... Mas nada que desmereça a leitura.

Ah e, por favor, não faça a burrice de ir na última página da estória, antes dos agradecimentos, para ver quantas páginas ela tem (btw, são 341, não precisa ir lá conferir. De nada!) porque senão você vai tomar um PUTA SPOILER EM CAIXA ALTA NO MEIO DA CARA! Eu fiquei muito bolada! Editoras e autores, não façam isso, please! É uma baita sacanagem... 

Então é isso. Espero que tenham gostado e, caso leiam o livro, venham me dizer o que acharam. ;)
feminismo

Sobre relacionamentos abusivos e o quanto é difícil perceber que se está em um

11.4.17
Fonte da imagem: Blog Femizade
Vejam bem, eu não gosto de BBB. Já gostei, já acompanhei, mas de umas 10 edições para cá, não tenho mais saco para ver. Mas a situação ocorrida agora na reta final da edição 17 entre o casal Marcos e Emilly me fez querer escrever sobre isso. Porque SIM, foi agressão. E não apenas porque ele deixou o braço dela marcado. Foi agressão psicológica e moral também. E não, eu não gosto da Emilly: acho ela mimada, egoísta, manipuladora. Mas isso não diminui a agressão sofrida. Isso não a desqualifica enquanto vítima.

Como a maioria das vítimas, ela mesma ainda não parece enxergar a gravidade da situação na qual se envolveu. Não parece aceitar que aconteceu agressão e se culpa por “ter prejudicado ele”. Como a maioria das mulheres agredidas, se sente culpada pela agressão e pelas consequências trazidas ao agressor que, querendo ou não, é alguém que ela ama. Como a maioria delas, fecha os olhos perante a situação com a desculpa de que “ele é um cara bom, só está passando por um momento difícil”. Quando as marcas são na alma, são mais difíceis de ver mesmo.

Eu mesma demorei para enxergar as minhas. Porque como ela e como muitas mulheres, passei por um relacionamento abusivo também. Nunca sofri agressão física (porque ele não era burro o suficiente para levantar a mão para mim. Sabia que se fizesse isso eu jamais o perdoaria e isso teria consequências legais para ele), mas às vezes a agressão moral e psicológica dói mais do que uma surra. Logo eu, feminista, desconstruída, empoderada, não enxergava que o homem que eu então amava só me fazia mal. Ou melhor, no fundo eu até sabia, mas não conseguia me imaginar sem ele.

Violência assume diferentes formas. É preciso saber reconhecê-las.
Fonte: Blog Desparadigmando
Foram quase sete anos ao lado dessa pessoa. No início, ele, dez anos mais velho que eu, era um príncipe. Dizia tudo o que eu queria e precisava ouvir. Prometeu mundos e fundos para mim e disse que me faria a mulher mais feliz do mundo. Mas isso durou cerca de uns dois anos, no máximo. Depois disso, começaram as piadas sem graça sobre o tamanho da minha bunda, sobre como meu nariz era grande e feio (detalhe é que o dele era maior que o meu) e sobre o “fato” de que ele me amava, mas que do jeito que eu sou ninguém mais seria capaz disso. E o pior de tudo? EU ACREDITAVA. Era insegura o suficiente para achar que seria quase impossível achar outra pessoa que “me amasse como ele amava”. Que eu era exigente demais, que os homens eram todos iguais e que eu tinha que me conformar com o que a vida me dava.

Depois de ir minando minha autoestima, comecei a perceber (e minha família toda e amigos também) que ele se incomodava com as minhas conquistas. Tinha inveja mesmo! Chegou ao ponto de tentar estragar a noite da minha formatura por eu estar me formando antes dele (sendo que ele entrou na faculdade muito antes de mim). Se eu comprava ou ganhava alguma coisa, ele debochava, desdenhava e fazia eu me sentir mal com a nova conquista.

Além disso, fui me afastando de todos por causa dele. Minha família não gostava dele e, por vezes, deixaram de me convidar para eventos por saberem que se eu fosse ele iria junto. E ninguém mais aguentava ver a forma como ele me tratava. Meus amigos deixaram de me convidar para sair, porque sabiam que eu negaria “porque o Fulano não deixa”. Ele sentia ciúmes até da minha sombra e as brigas, nas quais ele sempre me culpava por tudo, eram constantes. Ele nunca admitia que estava errado. E quando o fazia depois de eu muito chorar e ameaçar terminar, era apenas para calar a minha boca e me fazer desistir de romper com ele.

Perdi as contas também de quantas contas ajudei ele a pagar e de quantas coisas ele me pediu para “tirar no cartão que depois me pagava”. Eu tinha algo fixo, ainda que fosse um estágio. Ele pulava de emprego em emprego porque “nada estava no nível dele, que era bom demais para trabalhos medíocres”. E assim eu seguia arcando com as contas dele e segurando as pontas que ele deixava soltas.

Sempre que tudo isso começava a ficar insuportável e eu me decidia por terminar o relacionamento, ele fazia drama, chorava, prometia que ia mudar e eu acreditava. Ele mudava por algumas semanas, eu criava esperanças, depois tudo voltava a ser como antes. E eu sempre acreditava que, daquela vez, poderia ser diferente e que o cara que me conquistou apareceria novamente dentro daquele que eu já não reconhecia. E assim eu decidi ir morar com ele, mesmo contra os protestos de todos que me amavam.

Ao morarmos juntos, as coisas só pioraram. Porque, além de tudo isso, ele achava que teria uma empregada. Eu chegava em casa tarde da noite, depois de um dia cansativo de trabalho, e o encontrava de cueca, jogando vídeo game e me perguntando que horas sairia o jantar porque ele estava morrendo de fome. Não bastasse isso, as crises de ciúmes pioraram e ele afirmava que eu chegava tarde por “estar com homem na rua”, quando na verdade eu trabalhava igual a uma condenada.

Por fim, depois de muito chorar, sofrer e ouvir de todos que eu merecia coisa melhor, abri os olhos e vi o quanto aquele relacionamento me fazia mal. O quanto era tóxico passar por tudo aquilo e o quanto estava me matando aos poucos. E tomei, enfim, a decisão de terminar. Mas se para mim, que sou instruída, estudada, que nunca fui rica, mas sempre estive longe da miséria, que não tinha filhos que dependessem de mim e que tinha a casa do meu pai de portas abertas para me receber de volta, demorou quase sete anos para que eu enxergasse o que estava na minha frente, imagina para quem está numa situação mais complicada que a minha? 

Fonte: GWS Mag
Hoje, depois de muita terapia e de abrir meu coração novamente, ainda que com medo de me machucar, encontrei um companheiro, melhor amigo e namorado que me trata tão bem de uma forma que eu nem imaginava que seria possível um homem me tratar. Me libertar do relacionamento anterior, aprender a me amar e me envolver no atual relacionamento me proporcionaram as melhores sensações de liberdade que já experimentei. Hoje sei o que é ser feliz com alguém.

Então não me venham com “ela merece”, “ela procura”, “não larga ele porque é burra”, “sempre volta atrás”, “essa gosta de sofrer”... A questão é muito mais complexa do que sequer pode imaginar a mente de quem nunca passou por isso. O dever da sociedade é oferecer suporte a essas mulheres e mostrar que lutaremos por todas para que elas possam sair desses relacionamentos tóxicos. O dever de cada um não é de apontar o dedo, mas de abrir os braços. E sim, é punir os culpados pelas agressões para que eles não continuem acreditando que podem fazer tudo isso e ficarem impunes. MACHISTAS E AGRESSORES NÃO PASSARÃO.

#EuViviUmRelacionamentoAbusivo
desafio

Coisas que eu não vivo sem

10.2.17
Alooouuu! Ainda tem alguém por aqui? 👀 
Eu sei, eu sei... eu não tomo vergonha na cara! Mas a verdade é que amo meu bloguíneo, mas tem vezes (muitas, pra falar a verdade) em que realmente fico sem saco nenhum para escrever. Só que de vez em quando, me dá na telha e tenho vontade de voltar a blogar. E olha que nem sou geminiana! #ALokaDosSignos ;-P

Infelizmente (ou não, sei lá), como já falei lá na página do Balaio no Facebook, ando bem enjoada dessa vibe do mundo bloguístico de resenha/look do dia/eventos/jabás. Estou tentando me entender neste novo momento da vida e achar sobre o que eu realmente queira e goste de falar. Então tenham um pouco (ou melhor, muita) paciência comigo que eu prometo me esforçar para voltar a escrever, mas não garanto mais frequência porque né, cansei de me iludir... Hahahaha!

Daí, para me inspirar um pouco, resolvi fuçar os arquivos de um grupo que eu gostava muito, chamado Rotaroots, que estimulava a blogagem coletiva, mas infelizmente está em hiato desde setembro de 2015. Então resolvi pegar umas blogagens antigas e fazer assim mesmo simplesmente porque eu quero e posso... rs #delicadeza. E a primeira que decidi fazer é falando sobre "coisas que não vivo sem". E, por favor, não me venham com "ar", "água"... ¬¬ Vamos falar de coisas indispensáveis porque eu amo, não por biologia...


Enfim, chega de lenga-lenga e vamos aos amores da minha vida rs. Eu decidi não numerar porque eles não têm uma prioridade definida para mim, ok? ;)

Amor

O jeito é de pedreiro, mas o coração é de mocinha. Ok, esse é um sentimento, é algo abstrato, mas não me imagino vivendo se amar e ser amada. E nem digo no sentido apenas de ter um namorado. Digo no sentido de se importar demais com algumas pessoas e saber que elas se importam comigo tanto quanto. De querer vê-las felizes e saber que elas também me trazem felicidade. Já dizia o poeta Renato Russo: "Sem amor eu nada seria".

Amigas

As amigas estão incluídas na categoria amor também, mas aqui destaco as especiais. Tenho vários amigos e amigas, mas algumas pessoas parece que nascem com um pedacinho nosso dentro delas e vice-versa. E aqui nem vou citar nomes, para não criar ciúme em ninguém (rs), mas as que se encaixam nessa categoria tão especial no meu coração sabem que é delas que falo aqui. Amo vocês! <3

Livros

Fonte: Tumblr

Sério gente, eu AMO ler! Nada me deixa tão feliz quanto ganhar um bom livro. Aliás, dica certa de presente para mim: está na dúvida? Me dá um livro de fantasia / ficção / policial que vou ficar felizona! rs. Os livros sempre estiveram presentes na minha vida - melhor presente da infância foi uma coleção enorme de livros que vinham em uma caixa especial e que eu adorava espalhar pelo chão da sala e ler todos de uma vez - e sempre estarão. Com eles, me sinto viajando para diversos lugares incríveis, conheço personagens apaixonantes e odiosos. Vejo o ordinário e o incrível. Não consigo MESMO viver sem. E, com certeza, foram muito influenciadores em quem sou hoje, na escolha da minha profissão e no meu amor pela escrita.

Música

Fonte: Feira da Música 2015

Imagine o mundo sem música. Conseguiu? Nem eu! Não consigo nem imaginar o quanto a vida seria muito sem graça sem música. Eu amo demais ouvir acordes melodiosos, belos riffs de guitarra, um bom baixo bem grave e uma batera nervosa... Nem deu pra perceber que o que gosto mesmo é rock né bebê? Alguns estilos de "música" (até botei entre aspas porque têm uns que ainda tenho minhas dúvidas se são música mesmo) eu não curto e até ficaria bem feliz se não existissem (rs), mas apesar do eterno amor pelo rock, tem outros estilos que curto bastante. Basta a música tocar minha alma que vou gostar, independente do ritmo ;).

Carboidratos

Fonte: Pizza Hut

Já imagino as adeptas do lowcarb querendo me apedrejar aqui, mas desculpaê, eu não vivo sem. Já até tentei, mas parece que vou desmaiar, morrer, quando tento não comer e focar na salada/proteína. E quanto mais "gordice" (odeio este termo, mas na ausência de um melhor, usei esse mesmo) for, melhor: pizza, batata frita, lasanha, aipim, farofa... AMO! Nenhuma dieta vale a separação destas delícias... Taurina né mores, hahahaha!

Café

Fonte: hoga.com.br

Eu já detestei até o cheiro do café, acredita? Mas depois de encarar uma faculdade de Jornalismo com aulas às 7h da manhã, para as quais eu tinha que acordar umas 5h, a gente aprende a gostar, não é mesmo?! Necessidades... Hoje eu não fico nem um dia sem e cheguei a comprar uma máquina de café expresso e estudar os diferentes tipos de café (#phyna #rycah #SQN). Aroma, sabor, nuances... aprecio tudo mesmo e já acordo todos os dias na vibe do tio do café

Ar-condicionado

E por último, mas não menos importante, ele, o meu amor de todos os verões no Hell de Janeiro: o ar-condicionado! Tá certo que até um mês atrás, aproximadamente, eu não tinha em casa e, por isso, cada verão era uma morte lenta. Agora eu ainda odeio o verão, mas fico um pouco menos irritada porque durmo no fresquinho rs. Mesmo, não dá para viver feliz no Rio sem ar-condicionado não minha gente. Um beijo para o Willis Carrier, onde quer que ele esteja. Esse homem que você nem deve saber quem é, mas já considera tanto.

É isso meu povo! O post ficou enorme, mas espero que vocês curtam minha lista. E aí, me conta, o que você não consegue viver sem? Beijos!
felicidade

Minha vida só pertence a mim

1.8.16
Fonte: Tumblr
"Nós passamos por uma lavagem cerebral que dita a idade em que devemos nos casar, ter um filho, ou em que idade devemos fazer isso ou aquilo. Meu Deus, quem deixou essas pessoas no comando?". Ao ver essa frase da cantora Cindy Lauper em entrevista à AARP The Magazine, eu enxerguei um sinal do universo para escrever esse texto, pois estava divagando exatamente sobre isso hoje mais cedo, a caminho do trabalho (e já venho pensando nisso há algum tempo).

Eu estou realmente cansada das pessoas acharem que têm algum direito de tentarem assumir o comando da minha vida. Cansada de gente que se acha no direito de me dizer o que eu devo ou não fazer. Não entendo essa mania que a sociedade tem de cobrar o tempo todo das pessoas o que eles acreditam ser um padrão aceitável ou um ideal de vida!

Fonte: Tumblr
Hoje tenho 28 anos e estou numa boa fase profissional. Passei num concurso público para trabalhar com o que me formei para fazer: jornalismo. Então, pelo menos os questionamentos irritantes em relação à profissão eu já limei ("Tem certeza que é o que você quer da vida? Vai morrer de fome! Jornalismo não dá futuro! Melhor mudar de profissão... Ainda dá tempo de fazer Engenharia. Não importa se você não suporta matemática, ser feliz depende de ter dinheiro!). Mas junto com esse passo ótimo na carreira, vieram outras cobranças tão chatas quanto: querem saber quando vou comprar um carro, uma casa, fazer mestrado (não pela formação, mas para ganhar mais dinheiro com progressão de carreira), quando vou casar... Aliás, essa parte merece um destaque!

Se você está solteira, tem que arrumar alguém. Se começa a namorar, "pra quando é o casamento?". Se resolve casar, "já está pensando em encomendar o bebê né?" (nunca vou entender o emprego da palavra encomendar nessa frase... Compro pela internet e chega pelos Correios? Pelamor...). "Tem que ser logo, senão seu pai nem vai poder curtir os netos!" (não sabia que você tinha bola de cristal para ver quanto tempo alguém vai viver... Aproveita e vê quando vai ser o seu fim).

Se resolver não ter filhos então, parece que o mundo vai desabar na sua cabeça! "COMO ASSIM? NÃO PODE! TEM QUE TER FILHOS!". Veja bem, eu não decidi não ter filhos, mas também ainda não sei se quero tê-los. Hoje, sei que não estou preparada para isso, mas o futuro a Deus pertence (é clichê, mas não achei expressão melhor). Não sei lidar com crianças, não me sinto confortável com elas. E mal sei o que quero da minha vida, por que tenho que saber direcionar a vida de outro ser humano e educá-lo para lidar com coisas que eu nem entendo? Neste momento, não é algo que eu almejo. Mas quem sabe um dia? Eu não sei.

Fonte: Tumblr
"Pensando bem, melhor não ter filhos mesmo não. Você não tem jeito para isso. Instinto materno zero!". E quem são essas pessoas para me dizerem isso? Ninguém tem o direito de nos dizer o que devemos ou não fazer ou ser! Quero poder viver a minha vida sem ninguém me enchendo o saco para ser como acham que eu tenho que ser.

Quero poder viajar (ainda que seja para Disney e que achem isso coisa de criança), fazer uma tatuagem, ter filhos ou não, casar ou não, pintar meu cabelo de roxo! E não quero ter que chegar aos 63 anos, como a Cindy, para dizer que "alcancei uma idade em que posso ter o cabelo rosa se quiser". Quero poder ter o cabelo da cor que quiser e ser o que eu quiser em qualquer idade! A sociedade precisa começar a entender que cada um tem sua própria vida para cuidar. Ninguém precisa nem pode ficar dando pitaco na vida alheia. E para quem acha que eu estou errada, o choro é livre (porque eu já chorei demais para ainda me importar).
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...