Meu corpo não é público!

5.11.14

Crédito da imagem: Think Olga
Esses dias vi uma publicação na página do Facebook "Think Olga" que falava exatamente o que eu penso e que muita gente não entende (acreditem, até mesmo mulheres!): "Caminhar por um espaço público não torna meu corpo público". E essa postagem foi no mesmo dia em que o programa "Amor & Sexo", da TV Globo, falava que ser chamada de gostosa na rua era um sinal do poder da mulher (oi?!)

Normalmente, eu até gosto do programa, mas essa afirmação que permeou o episódio daquele dia, com direito até a apresentação de pedreiros passando cantada (!!!), me deixou constrangida e incomodada. Entendam, não é que eu seja da turma do "mimimi" que faz de tudo um caso polêmico, mas me considero feminista sim (não das mais radicais, mas sou) e simplesmente ODEIO que mexam comigo na rua!

As pessoas (principalmente os homens, mas muitas mulheres também, que é o que mais me choca) precisam entender que absolutamente NADA dá o direito de alguém incomodar outra pessoa na rua, seja pelas roupas, maquiagem ou beleza. Não é porque uma mulher é bonita e está bem arrumada que você tem o direito de falar qualquer tipo de coisa de conotação sexual. E não importa também se você "só" chamou de gostosa, de linda, ou se foi baixo nas palavras. QUALQUER manifestação sensual ou sexual alheia à vontade da pessoa a quem se dirige é considerada ASSÉDIO SEXUAL

Entendam que, em muitas vezes, essas abordagens grosseiras e propostas inadequadas constrangem, humilham e amedrontam as mulheres. Se você está passando por um lugar estranho, por exemplo, qualquer olhada diferente e um "coisa linda ein!" de um cara que você não conhece podem assustar e parecerem prenúncio de um possível abuso (físico, porque pra mim verbalizar já é abuso).

Crédito da imagem: Think Olga
"Ai Dany, mas você é muito radical! Porque não encara como elogio?" Eu já ouvi essa frase de muita gente, até mesmo de amigas próximas. Mas entendam: pra mim, elogio é um cumprimento educado e sincero de alguém QUE ME CONHECE. Nenhuma gracinha que um ESTRANHO me diga na rua vai contribuir para aumentar minha autoestima ou não, até porque, aprendi a me amar e valorizar por mim mesma. Não preciso que um "Zé" qualquer me diga qualquer coisa pra ter certeza que sou bonita. E não é questão de ser "convencida", mas de se amar!

Para finalizar, deixo aqui uma parte da postagem da "Think Olga" pra ver se, de uma vez por todas, as pessoas entendem a gravidade da situação:

"Segundo a ONU, 1 em cada 5 mulheres já sofreu uma violência sexual. Ou seja, a maioria de nós tem gatilhos sensíveis a tais abordagens. Então quem tem que dizer se a abordagem foi ou não violenta, se ofendeu ou não são as mulheres. A palavra final é nossa.

Dizer "não" ao assédio é não aceitar mais que mulheres sejam vistas como objetos sexuais passivos ou como vítimas frágeis do poder dos homens. 

Dizer "não" ao assédio é afirmar que as mulheres podem e devem ter controle sobre a própria sexualidade.

Dizer "não" ao assédio é mostrar que podemos igualar a voz e o poder da mulher na sociedade.

Dizer "não" ao assédio é não submeter as mulheres aos papéis sociais tradicionais".

Até quando nós viveremos em uma sociedade machista que acredita que devemos ficar quietas diante da violência, seja ela considerada mais "sutil" ou literal?

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