Resenha do livro A Arma Escarlate, de Renata Ventura

10.11.14

Capa 1 do livro (existem duas opções de capa. Veja a segunda abaixo)
Oi oi pessoal! Atrasei um pouquinho o post (era para sair no domingo, mas realmente não tive tempo, então vai na segunda mesmo hihihihi)! Hoje trago para vocês a resenha do livro "A Arma Escarlate", da Renata Ventura. Assim que eu soube desse livro, fiquei bem curiosa para lê-lo e vou explicar o motivo. Eu sou muito fã de Harry Potter, mas muito mesmo: até participo de um fã-clube! E foi através do fã-clube que ouvi falar nesse livro pela primeira vez. Pra quem ainda não conhece, aqui vai o resumo oficial do livro:

"O ano é 1997. Em meio a um intenso tiroteio, durante uma das épocas mais sangrentas da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, um menino de 13 anos descobre que é bruxo.

Jurado de morte pelos chefes do tráfico, Hugo foge com apenas um objetivo em mente: aprender magia o suficiente para voltar e enfrentar o bandido que ameaça sua família. Neste processo de aprendizado, no entanto, ele pode acabar por descobrir o quanto de bandido há dentro dele mesmo".

Então, todo mundo (até o jornal O Globo) classificou o Hugo como o "Harry Potter do Dona Marta". E só aí já fiquei curiosa e com pé atrás ao mesmo tempo. Curiosa porque tudo que me remete ao universo de HP me fascina, mas com pé atrás de achar tudo uma grande imitação barata. Mas me despi de qualquer preconceito e fui ler o livro. E olha, não me arrependi! Li muito rápido as 552 páginas, pois a estória nos envolve e faz querer mesmo chegar ao final e descobrir como vai se resolver.

"A Arma Escarlate" está muito longe de ser Harry Potter, mas entendam que isso é na verdade um grande elogio! Harry Potter é maravilhoso, mas a estória de Hugo Escarlate, apesar de trazer bastante referências ao universo da saga londrina, é totalmente suficiente por si mesma. Não há plágios nem "inspirações descaradas". Renata Ventura constrói um universo complementar, mas que não necessariamente depende do de J.K. Tudo em "A Arma Escarlate" é muito interligado à realidade brasileira e carioca em si, sendo impossível não reconhecer o nosso cotidiano na obra, ainda que ela seja de fantasia.

É engraçado, mas vou ter que confessar: apesar de ter amado o livro como um todo, não consegui desenvolver amor pelo Hugo. O protagonista está mais para um anti-herói do que para mocinho. Filho de mãe solteira e morador de favela, o moleque é esquentadinho, abusado, desconfiado, sempre quer se  dar bem em cima dos outros e, na maioria das vezes, procura e merece as encrencas nas quais se mete. Claro que às vezes passas por perrengues que ninguém, ainda mais uma criança, deveria passar devido ao tráfico e à violência. Mas que ele se mete em muita encrenca por não medir suas ações e palavras isso é inegável! Aquele famoso "bem feito!" me veio à mente em vários momento hahahaha! Mas mesmo não tendo desenvolvido amor por ele, não posso deixar de dizer que em muitos momentos a gente fica com raiva dele, mas entende o que o leva a agir de certas formas. É o famoso "te entendo, mas não justifica" (rs).

Cheguei a pensar muito se faria a resenha do livro sem ter conseguido amar o protagonista. Mas decidi que faria ao chegar a conclusão de que talvez a Renata tenha construído, propositalmente, um personagem que não precisa ser amado, apenas compreendido. Afinal, um moleque de morro que cresceu vendo a violência e que não fosse minimamente rebelde não seria realista não é mesmo?

Capa 2 do livro. Acho que gosto mais da primeira rs
Para mim, a parte mais legal é a descrição dos detalhes do universo mágico adaptado à realidade carioca e brasileira como um todo. Temos a escola de magia Nossa Senhora do Korkovado, para a qual Hugo é chamado e que não lembra em nada Hogwarts, pois tem toda uma aura própria e carioca (além de confusões, falta de professores e outras coisinhas que constroem uma crítica social bem ali na nossa frente); O sub-SAARA, que é uma mistura maravilhosa e engraçadíssima de Saara com Beco Diagonal; e os Pixies, que pra mim são a verdadeira graça do livro! Como não amar a doçura e postura de irmão mais velho de Cápi, a irreverência de Viny e de Caimana, até o jeito sisudo (e que no final a gente entende e até concorda) de Índio? Ainda no âmbito dos personagens, tem a Gislene (uma Hermione do morro rs) e o professor gaúcho Atlas, que é bem cúmplice das brincadeiras dos Pixies (me lembrou muito o Lupin, não sei exatamente o motivo rs).

Outro ponto positivo é a referência ao folclore nacional. Mula-sem-cabeça, curupira, saci... Todos ali, o que pra mim é muito digno já que o livro retrata o cenário mágico no Brasil. Quer algo mais mágico e brasileiro do que isso tudo? Inclusive o título do livro tem a ver com a varinha de Hugo, que também tem relação com um dos personagens do folclore (não vou dizer mais senão darei spoiler rs). O fato dos feitiços serem em bantu, iorubá e tupi é uma bela sacada também, apesar de eu achar os em latim bem mais confortáveis de se ouvir e tentar ler, visto que são mais próximos do radical do português. Mas pela criatividade, pela inovação e pela lembrança das influências que essas línguas têm no português e na cultura brasileira, não vou reclamar. 

O cenário da favela, da violência e do crime estão lá também, fazendo o link com a realidade e o papel de crítica social do livro. Confesso que esse núcleo chegou a me trazer certo desconforto em alguns momentos. Mas se não houvesse, não poderíamos entender Hugo...

Bom, vou parar por aqui porque, se deixar, essa resenha vai ficar mais enorme do que já está e também é meio difícil não dar spoilers (rs). Resumindo: é um livro muito legal, rico em fantasia e em realidade, com personagens e cenários bem construídos e um enredo envolvente que nos faz querer muito saber o final. Se você curte esse tipo de literatura de fantasia, provavelmente vai amar! Mas se desarme de qualquer preconceito e utilize às referências a Harry Potter apenas para diversão e intertextualidade. Não espere encontrar um "Harry Potter brasileiro". Espere conhecer Hugo Escarlate e seu universo próprio que se descortina ao leitor. E quando terminar, te espero em frente aos Arcos da Lapa, n° 11... ;)

PS: O segundo livro da série, "A Comissão Chapeleira" já foi lançado e estou bem curiosa para ler! Assim que eu conseguir, faço a resenha para vocês. =)

4 comentários

  1. Com certeza um livro fabuloso! Li e reli vááárias vezes, e toda leitura que tenho dele tiro alguma mensagem diferente, me encantou em todos os aspectos, e concordo plenamente com o que vc disse na resenha, Eu ate te entendo Hugo mas não justifica.

    Acho que todo mundo que aprecia uma boa história de aventura, e quer conhecer um pouco mais sobre a cultura e realidade brasileira, deveria ter um exemplar de A Arma Escarlate em mãos!

    E sobre sua continuação, A Comissão Chapeleira, só tenho algo a falar, SENSACIONAL!

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    1. Que bom que vc curtiu o livro e a resenha Nádia! Estou bem curiosa pra ler a continuação e espero que o Hugo tome vergonha na cara (e me faça simpatizar mais com ele hahaha)! Bjs!

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  2. amiga acho que vc vai gostar de ler TRES DIAS DE ESCURIDÃO DA SAM EASTER. ele me remete ao estilo do codigo da vinci. fala sobre o sagrado feminino, uma rebelião de freiras e começa com o conclave. confesso que não gosto de ler nada que saia dos meus romances espiritas, mas fiquei louca com esse livro e ia dormir de madrugada com o livro caindo da minha mão. espero que vc curta a dica e leia o livro, quem sabe não faz uma resenha aki. bjks bia

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    1. Opa, gostei da dica Bia! Vou procurar esse... Bjs!

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