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Resenha: Dias de Despedida

19.1.18


Parece que eu só tenho vindo escrever novos posts quando um novo livro me encanta, não é mesmo? Hehehehe... Mas isso é só porque gosto muito de dividir com vocês minhas impressões quando amo tanto alguma coisa que é impossível manter só para mim. =D E hoje conto um pouco sobre o maravilhoso livro Dias de Despedida, do Jeff Zentner! Primeiro, segue o resumo oficial do livro:

"Cadê vocês? Me respondam."
Essa foi a última mensagem que Carver mandou para seus melhores amigos, Mars, Eli e Blake. Logo em seguida os três sofreram um acidente de carro fatal. Agora, o garoto não consegue parar de se culpar pelo que aconteceu e, para piorar, um juiz poderoso está empenhado em abrir uma investigação criminal contra ele. Mas Carver tem alguns aliados: a namorada de Eli, sua única amiga na escola; o dr. Mendez, seu terapeuta; e a avó de Blake, que pede a sua ajuda para organizar um “dia de despedida” para compartilharem lembranças do neto. Quando as outras famílias decidem que também querem um dia de despedida, Carver não tem certeza de suas intenções. Será que eles serão capazes de ficar em paz com suas perdas? Ou esses dias de despedida só vão deixar Carver mais perto de um colapso — ou, pior, da prisão?

Quando eu imaginei que esse seria o livro enviado na caixa de dezembro do Turista Literário, fiquei com um pé atrás. Depois de ler a sinopse, achei que seria um assunto muito mórbido. Não costumo ser fã de YAs contemporâneos, pois sempre preferi os de fantasia (sim, leio YAs mesmo já tendo passado da idade, me julguem! rs). Sendo um dramático então, já torci logo o nariz: "detesto livros que me fazem chorar", foi o que sempre disse. Mas como confio muito na curadoria das meninas do Turista, resolvi dar uma chance. 



A caixa veio linda, como podem ver acima, com itens maravilhosos, o que me fez ficar encantada! Mas como suspeitava, o livro enviado era esse. Decidi que seria um dos últimos que leria, já que tenho vários na fila de TBR. No entanto, por causa de um evento no qual alguns assinantes combinaram de discutir essa leitura, decidi começar logo para poder participar da conversa.

E olha, ainda bem que eu fiz isso! Posso dizer que não me arrependi nem um pouco em confiar no bom gosto das meninas do Turista e que esse livro é maravilhoso! Extremamente delicado, poético, nada mórbido. Dias de Despedida, mexeu muito mesmo comigo. Para quem não sabe, perdi minha mãe quando eu tinha 15 anos. Foi algo muito difícil e dolorido para mim... E ainda é, mesmo quase 15 anos depois. Ler verdades tão absolutas sobre o luto e a dor de perder alguém querido me sensibilizou muito e me fez engolir o choro em muitos momentos para não "pagar mico" em público (rs)... A forma com que o Jeff Zentner fala sobre os sentimentos tão delicados atrelados à morte é algo incrivelmente fascinante. É lindo e de certa forma libertador. Cada frase lida que traduzia perfeitamente os sentimentos que nos preenchem quando perdemos alguém era equivalente a tirar parte do peso que achamos que só nós carregamos (e fica bem claro que muitas pessoas passam pelos mesmos sentimentos que nós e isso nos deixa menos solitários na dor).

No final, obviamente não consegui segurar as lágrimas (rs), mas até isso foi bom, porque elas lavaram parte da dor acumulada dentro de mim por todos esses anos. Não vou dizer que não dói mais, porque é claro que seria mentira. Mas posso dizer que ler este livro me fez lidar melhor com tudo isso e tornar a dor um pouco mais suportável. Como eu queria fazer um dia de despedida para minha mãe... Talvez eu faça, algum dia.

Bom, não vou me estender muito, porque esse é um livro que precisa ser lido e sentido, não dá para ser contado. Vou apenas deixar uns quotes dos meus trechos preferidos abaixo, para que vocês fiquem com um gostinho de quero mais! ;-)

→ "Engraçado como as pessoas passam por este mundo deixando pedacinhos de sua história para as pessoas que conhecem carregarem. Faz você pensar o que aconteceria se todas essas pessoas juntassem suas peças do quebra-cabeças." (P. 72)

→ "A noite chega, lenta como um cobertor caindo. A cidade é uma constelação de luzes, cada uma representando uma mão que acendeu uma lâmpada. Uma mão ligada a uma mente contendo um universo de memórias e mitos; uma história natural de amores e feridas.
      Há vida por toda parte. Pulsando, zunindo. Uma grande roda que gira. Uma luz que se apaga aqui, outra a substitui ali. Sempre morrendo. Sempre vivendo. Sobrevivemos até não sobrevivermos mais.
      Todos esses fins e começos são a única coisa realmente infinita." (P. 91)

→ "Nossa mente busca causa e efeito porque isso sugere uma ordem no universo que talvez não exista, mesmo se você acreditar em algum poder superior. Muita gente prefere aceitar uma parcela indevida da culpa por alguma tragédia do que aceitar que não existe ordem nas coisas. O caos é assustador. É assustadora uma existência inconstante em que coisas ruins acontecem a pessoas boas sem nenhum motivo lógico." (P. 229)

→ "Nossa memória dos entes queridos é a pérola que formamos em volta do grão de luto que nos causa dor." (P. 250)

→ "Na maioria das vezes, a gente não guarda as pessoas que ama no coração porque elas nos salvaram de um afogamento ou nos tiraram de uma casa em chamas. Quase sempre, nós as guardamos no coração porque, em um milhão de formas serenas e perfeitas, elas nos salvaram da solidão." (P. 272)

→ "O universo e o destino são cruéis e aleatórios. As coisas acontecem por inúmeros motivos. Acontecem sem motivo nenhum. Carregar nas costas o fardo dos caprichos do universo é demais para qualquer pessoa. E não é justo com você." (P. 372)

Uma observação: eu preciso deixar registrado que o Jeff é um fofo! Além de ter gravado um vídeo em português para os assinantes do Turista Literário (o autor morou no Brasil por dois anos, segundo informações da editora), fez questão de curtir e comentar em português as publicações que fiz sobre o livro no Instagram! Ou seja, além de ótimo escritor, é uma pessoa bacana. Me conquistou ainda mais. Hehehehe!
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